O princípio que organiza tudo: mesmo domínio = autoridade preservada. O Google não zera o score de um site por trocar de servidor ou CMS; o que ele percebe são sintomas: URLs sumidas sem redirect, metadados reescritos, conteúdo removido, páginas que viram 404. Cada regra abaixo neutraliza um desses sintomas.
Antes da migração (regras 1 a 4)
1. Crawl completo antes de qualquer coisa. Screaming Frog ou auditoria equivalente, exportando: todas as URLs com status, títulos, descriptions, H1s, canonicals, links internos, hreflang, schema e: cruzando com o Search Console: as páginas de maior tráfego orgânico e de maior backlink. Esse crawl é a fonte da verdade de todo o projeto.
2. Mapa de URLs com um destino por linha. Planilha com URL antiga, URL nova, status (redirect/manter/aposentar), sessões orgânicas mensais, backlinks e prioridade. As decisões-chave: manter URLs idênticas onde possível (inclusive a estrutura /blog/post-titulo), limpar permalinks datados ou do tipo ?p=1234, e a regra inegociável: toda URL com tráfego orgânico recebe redirect, sem exceção. Página aposentada redireciona para a alternativa mais relevante; 410 só para o obsoleto de verdade.
3. URLs específicas do WordPress merecem plano próprio. /feed e /rss (o Framer não gera RSS nativo: serviço externo resolve), /wp-admin e /wp-login.php (podem virar 404 sem dano), /category/*, /tag/* e /author/* (redirect ou 410), arquivos paginados (para a listagem principal), /wp-content/uploads/* (re-hospedar ou redirecionar) e variações de barra final.
4. Exporte os metadados: não recrie de memória. Do Yoast, Rank Math ou AIOSEO saem títulos, descriptions, Open Graph, Twitter Cards, canonicals personalizados, palavras-chave, schema e hreflang. E registre as linhas de base: tráfego orgânico, rankings das top-50 palavras, Core Web Vitals das 10–20 páginas principais, CTRs e contagem de páginas indexadas: sem baseline não existe como provar recuperação.
Durante a migração (regras 5 a 11)
5. 301 permanente: a regra mais importante do artigo. Só o 301 transmite toda a autoridade do link; o 302 temporário é o erro clássico que implode rankings. Página removida redireciona para a página relevante: nunca tudo para a home, que o Google trata como soft 404. Curingas resolvem em lote: /category/* → /blog, /tag/* → /blog, /author/* → /equipe, /blog/page/* → /blog, /?p=* → /blog. Limites por plano no Framer: Pro 100 redirects, Scale 500, Enterprise ilimitado (até 2.500 regras por projeto), com importação em lote. E mantenha os redirects no ar pelo menos um ano: recomendação do próprio Google.
6. Metadados recriados com fidelidade. Títulos idênticos, a menos que haja motivo explícito para otimizar; descriptions transferidas verbatim; Open Graph completo por página (título, descrição, imagem). Canonical: o Framer usa a própria URL como canônico por padrão: quem tinha canônico personalizado precisa configurá-lo explicitamente. Schema (JSON-LD) entra via código personalizado no head ou plugin do marketplace: e vale a ocasião para expandir: FAQPage nas páginas de conversão ajuda a descoberta por IA (o guia de dados estruturados cobre os tipos).
7. Sitemap verificado. O Framer gera o sitemap.xml automaticamente: confirme que páginas publicadas e de CMS estão lá, que rascunhos e páginas ocultas não estão, e que URLs redirecionadas não aparecem no sitemap (desperdiça orçamento de rastreamento). O sitemap do Framer é o padrão de URLs: sem sitemap de imagem ou vídeo, que o Google descobre rastreando.
8. robots.txt revisado (o erro do staging). O arquivo é gerado automaticamente; o controle de indexação é o toggle por página. Dois vetos de acidentes: nenhuma página valiosa com noindex esquecido e: o clássico da migração: nenhum Disallow: / herdado do ambiente de staging bloqueando todos os crawlers no domínio de produção.
9. Links internos atualizados. Menus, CTAs, rodapé e: o foco dos esquecimentos: links dentro do texto rico importado por CSV, que preservam as URLs antigas do WordPress. Find-and-replace no CSV antes da importação economiza a caçada depois.
10. Imagens otimizadas (onde o LCP se ganha). LCP é a métrica de Core Web Vitals com mais peso para rankings: e é ganho nas imagens: converter para WebP/AVIF (os JPEG/PNG do WordPress costumam ser 2 a 5 vezes maiores), não usar lazy-load na imagem above-the-fold (atrasa o LCP), comprimir para menos de 200 KB em imagens de conteúdo e menos de 500 KB em hero full-width, dimensionar no tamanho de exibição ×2 para retina.
11. Dados estruturados migrados, não abandonados. Article, FAQPage, Organization, BreadcrumbList, Product, LocalBusiness: o que existia no WordPress via plugin precisa existir no Framer via JSON-LD, validado com o teste de resultados avançados do Google.
Depois da migração (regras 12 a 17)
12. Search Console no dia 1. Sitemap enviado, as 10–20 páginas mais importantes inspecionadas e solicitadas para reindexação, ferramenta de mudança de endereço só se o domínio também mudou (não é o caso da troca de plataforma). Monitorar o relatório de Páginas diariamente por 4 semanas.
13. Erros de rastreamento: correção no mesmo dia, por 30 dias. 404 = redirect faltando (a falha mais comum). Cadeias de redirect simplificadas (A→B→C vira A→C: cadeia dilui autoridade), loops corrigidos (bloqueiam indexação), soft 404s e 5xx vigiados.
14. Rankings: 8 a 12 semanas de paciencia informada. Flutuação nas primeiras 4 semanas é normal: o Google reprocessa. Queda que persiste depois da quarta semana aciona o checklist: redirects, metadados, indexação, noindex acidental.
15. Links externos sob seu controle atualizados. Sites de parceiros, diretórios, perfil da Empresa no Google, Crunchbase: link direto vale mais que redirect: para autoridade e para rastreamento.
16. Core Web Vitals validados contra o baseline. Compare LCP, CLS e INP com as linhas de base registradas. Duas ressalvas técnicas: o dado de campo pode sumir temporariamente do Search Console após a migração (o Google reconstrói o conjunto em cerca de 28 dias) e nota de laboratório ≠ dado de campo: uma página pode pontuar 55 no PageSpeed e passar em todas as métricas com usuários reais. Otimize pelo campo, não pela nota.
17. Mobile em primeiro lugar, sempre. O Google indexa pela versão mobile: deslocamentos de layout, alvos de toque, rolagem horizontal e imagens estourando afetam o ranking mais que os mesmos defeitos no desktop.
Migração de SEO não é uma tarefa pós-lançamento: é o projeto. Crawl e mapa de URLs antes de qualquer design, 301 permanentes antes do DNS, sitemap no Search Console no dia 1 e monitoramento disciplinado por 8 semanas: é isso que separa “recuperamos o tráfego em 3 semanas e melhoramos o LCP” de “o site sumiu do Google”. Quem prefere terceirizar o processo inteiro, o serviço de migração da Marketing & Conteúdo entrega o mapa na primeira semana.
Para o passo a passo técnico completo da migração, o guia em 8 etapas; para conferir item a item na véspera do lançamento, o checklist de 35 itens; e para a fundação técnica que sustenta tudo, o guia de SEO técnico.