O caso clássico brasileiro: um site que começou no WordPress há cinco anos, acumulou um construtor de páginas, dois plugins de cache, um de SEO, outro de segurança e um formulário: e hoje cada atualização é uma aposta. A promessa do Framer é simples de enunciar e difícil de alcançar sem método: o mesmo conteúdo, sem servidor para administrar, com páginas estáticas em CDN global e edição visual que o time de marketing domina sozinho. O método existe: e cabe em 8 etapas.
Antes de começar: os casos em que NÃO vale migrar
Honestidade primeiro. O guia oficial da própria Framer lista os cenários onde a migração não compensa: lojas WooCommerce (o caminho é Shopify, mantendo o Framer para as páginas de marketing), conteúdo com login/paywall (não há autenticação nativa), catálogos gigantes (os planos pagos suportam até 40 mil itens de CMS: centenas de milhares de páginas pedem outra arquitetura), lógica pesada de servidor em PHP e redes multisite (cada subsite viraria um projeto separado). Se o seu site é um destes, o conserto está em outro lugar: migrar seria pagar caro para recriar o problema.
Etapa 1: Inventário completo (e backup)
No painel do WordPress, catalogue: páginas (quantas, quais ranqueiam, quais aposentar), posts (com categorias e dados do Search Console cruzados), tipos de conteúdo personalizados: cases, equipe, produtos, depoimentos: que virarão coleções no CMS do Framer, a biblioteca de mídia (descarte o que ninguém usa) e a lista de plugins com o papel de cada um. Em paralelo, backup completo do banco e dos arquivos: pelo painel da hospedagem, plugin ou exportação manual. Regra de poda: páginas sem tráfego orgânico e sem backlink há mais de 12 meses são candidatas a aposentadoria, não a migração.
Etapa 2: O mapa de substituições (o que cada plugin vira)
Metade do medo do WordPress é a pilha de plugins: e cada um tem um destino claro na migração: Yoast/Rank Math viram os controles de SEO nativos por página e por item de CMS; Contact Form 7 e afins viram os formulários nativos; plugins de GA viram o analytics embutido ou o GA4 via código personalizado; WP Rocket e W3 Total Cache simplesmente não têm equivalente: porque não são necessários (páginas estáticas já entregam o que cache simulava); Wordfence e Sucuri também não (não há superfície de ataque de servidor); WPML/Polylang viram a localização nativa; e Elementor/Divi desaparecem no editor visual. Documentar esse mapa antes de construir evita descobrir dependência esquecida na semana do lançamento.
Etapa 3: Projeto Framer: hierarquia e design system
Crie o projeto e construa a hierarquia de páginas apenas para as de alta prioridade: o resto vem com o CMS. Defina o sistema: cores, tipografia (fontes próprias são aceitas e otimizadas automaticamente), espaçamentos; componentes reutilizáveis para navegação, rodapé, CTAs e cards; e os breakpoints com controle por tamanho de tela. Quem usa Figma tem atalho: o plugin oficial cola direto do canvas. Este é o momento de escrever os componentes bem: eles são o patrimônio que impede o site de virar colcha de retalhos (o problema que talvez o tenha feito sair do WordPress).
Etapa 4: Conteúdo para o CMS (o CSV manda)
Para a maioria, o caminho é CSV: exporte o XML do WordPress (Ferramentas → Exportar), converta para CSV e limpe: shortcodes órfãos, HTML quebrado, descrições metas fracas, rascunhos. No CSV, a coluna de slug é obrigatória (minúsculas, hífens), o texto rico vai como HTML com um conjunto limitado de tags, imagens precisam de URLs absolutas (o Framer baixa sozinho), datas em ISO 8601 e booleanos em minúsculas. Dois avisos que o guia oficial reforça: reimportar atualiza pelo slug em vez de duplicar (o que torna o processo iterativo e seguro) e o texto alternativo de imagem é o dado que mais some no caminho: confira após cada importação. Para menos de 50 páginas, migração manual costuma ser mais rápida; para volumes grandes, a API de servidor faz a sincronização programática.
Etapa 5: Reconstruir as páginas-chave (não portar)
Home, páginas de produto/serviço e landing pages merecem reconstrução: não cópia. Use auto-layout e grids, animações de rolagem nativas, visões dinâmicas alimentadas pelo CMS e design por breakpoint. E aproveite para adotar estrutura de conteúdo que responde: títulos em pergunta com resposta de 1–2 frases logo abaixo, seções de FAQ: o formato que as buscas com IA (AI Overviews, ChatGPT, Perplexity) preferem citar. Migração é a única ocasião em que reescrever é quase grátis: depois do lançamento, cada mudança compete com a agenda do dia a dia.
Etapa 6: Formulários, analytics e consentimento
Os formulários nativos do Framer cobrem os casos comuns e entregam envios por e-mail, Google Sheets ou webhook: com integrações a HubSpot, Zapier e afins, além de proteção contra spam embutida. Analytics: o embutido nos planos pagos, ou GA4 e alternativas via código personalizado no head. O ponto que o guia oficial destaca para visitantes europeus: e que no Brasil tem o mesmo peso por causa da LGPD: é o consentimento de cookies: o Framer não tem ferramenta nativa, então a solução (CookieBot, Osano ou equivalente) entra via código personalizado e precisa estar ativa antes do lançamento, não depois do primeiro lembrete da ANPD.
Etapa 7: Redirects antes de tudo (o passo que separa sucesso de desastre)
Todo endereço que mudar precisa de redirect 301 permanente configurado antes da troca de DNS: em Site Settings → Redirects. Padrões com curinga resolvem em lote: /blog/* para o novo caminho de artigos, /?p=* para o blog, /category/* para a listagem. A ordem de prioridade é: primeiros as páginas de maior tráfego orgânico, depois as com mais backlinks, depois o restante indexado. Uma limitação a conferir no seu plano: os planos têm tetos de redirects (o Pro, por exemplo, vem com 100): quem chega com um site grande precisa do plano certo ou de importação em lote bem planejada.
Etapa 8: Testes, DNS e os primeiros 72 horas
Antes do apontamento: renderização nos três breakpoints, conteúdo do CMS, formulários, redirects no staging, analytics disparando, links internos (procure referências órfãs a wp-content). O staging fica noindex por padrão: verifique, para não descobrir o oposto depois. No corte: reduza o TTL do DNS para 300 segundos com 48 horas de antecedência, aponte o domínio (SSL é automático) e mantenha o WordPress de pé por pelo menos 72 horas com o plano de rollback documentado: reverter é apontar o DNS de volta. Propagação costuma levar de 1 a 4 horas com TTL baixo. Depois: sitemap no Search Console e monitoramento de rastreamento diário (o guia de SEO da migração cobre os 30 dias seguintes em detalhe).
Site pequeno (até 30 páginas sem blog): 1–2 semanas com 1–2 pessoas. Médio (30–100 páginas, 50–200 posts): 3–6 semanas. Grande ou multilíngue: 6–12 semanas. E a regra de ouro do guia oficial: não mude plataforma, URLs, design e conteúdo ao mesmo tempo: mudar domínio e estrutura de URLs juntos dobra o risco de perda de SEO. O caminho seguro: manter URLs, conteúdo e metadados idênticos no primeiro momento e escalonar as melhorias 4–6 semanas depois.
Para sites grandes que não podem pausar, existe ainda a migração gradual página a página: o Framer serve o que já está pronto e encaminha o resto ao WordPress (a Miro migrou assim, com 27 milhões de visitas mensais hoje). E se o preferencial for terceirizar o processo inteiro, o serviço de migração da M&C executa as 8 etapas com o mapa de SEO saindo na primeira semana. Para comparar plataformas antes de decidir, o comparativo Framer × WordPress põe os números lado a lado.