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SEO & Busca

Resultados redesenhados no EEA: a multa de 460 milhões, os agregadores na frente e o que o redesign da DMA ensina ao Brasil

22/09/2026 9 min de leitura Por Equipe M&C

Em 23 de julho de 2026, a Comissão Europeia multou o Google em 460 milhões de euros por favorecer os próprios resultados de compras, hotéis, transporte e esportes, com 60 dias para cumprir sob pena de multa diária de até 5% do faturamento global. Em 8 de setembro, o novo desenho dos resultados comerciais no Espaço Econômico Europeu (EEA) foi ao ar: unidades dedicadas a agregadores (os comparadores) e a fornecedores diretos, documentadas oficialmente. O Google reagiu chamando a mudança de a maior redução de qualidade na história de 29 anos da Busca. O caso é europeu; as lições são para qualquer mercado onde a regulação redesenha a SERP, e para todo varejista que vende para a Europa.

O redesenho não é experimento: é cumprimento de ordem. E a mecânica dele revela como o Google espera que a concorrência entre no palco que era dele.

Como ficaram os resultados comerciais no EEA

Duas unidades novas para consultas de hotéis, voos, transporte terrestre de longa distância e produtos. A unidade de agregadores: comparadores de preço, agências de viagem online e metabuscadores aprovados como serviços de busca vertical, alimentados por feeds ou APIs em tempo real (hotéis por feed de hospedagem, voos e ônibus por API, produtos pelo programa de Comparison Shopping Services). O provedor mais bem posicionado aparece expandido por padrão, com fotos, preços e avaliações; o clique vai para o site do agregador. A unidade de fornecedores: para o fornecedor direto (o hotel em si, a companhia aérea), sem exigência de dados além do que o Google consegue rastrear, mas só aparece acompanhando uma unidade de agregador. O Google mantém o controle do ranqueamento dentro das unidades.

A regra que produziu isso (e a conta que ficou)

A multa de 460 milhões de euros integrou um pacote de 890 milhões por favorecimento próprio no EEA, sob a Digital Markets Act. O Google cumpriu dentro dos 60 dias, mas registrou a objeção no discurso: o vice-presidente de conhecimento e informação chamou as mudanças de degradação da experiência para os europeus, e a empresa afirmou que testes com milhões de usuários mostraram insatisfação alta (usuários reescrevendo consultas), além de estimar que as mudanças anteriores da DMA já haviam cortado em 30% o tráfego gratuito de reservas diretas dos negócios europeus. A Comissão segue monitorando e não declarou o desenho conforme: multas periódicas continuam possíveis. E a régua pode se estender: uma página do Actions Center sugere o mesmo tratamento para consultas de restaurantes, serviços e lazer, sem data.

O efeito prático para quem mede SEO (inclusive do Brasil)

Rank tracking e dados do Search Console nos países do EEA podem divergir do resto do mundo nas consultas afetadas: uma queda regional pode ser o novo layout, não perda de performance. Quem vende para a Europa (e-commerce brasileiro com mercado lá, hotelaria, companhias) tem o mapa claro: agregador tem que investir em feed/API e aprovação; fornecedor direto tem que ter site rastreável e estar no radar das unidades de fornecedor. O guia de elegibilidade dos carrosséis regionais detalha os requisitos.

O que o caso ensina fora da Europa

Três lições transportáveis. 1. A SERP é negociável politicamente: quando a regulação decide, o layout muda em semanas, e quem estava preparado (com feed e infraestrutura de dados) entra; quem dependia só de ranqueamento reage depois. 2. Feed é o novo ar: em dois continentes na mesma semana (o EEA e o ChatGPT Shopping), a porta de entrada migrou do ranking para a infraestrutura de dados estruturados. 3. A experiência é o campo de batalha do discurso: o Google argumenta degradação, a Comissão corrige assimetria: o resultado final será observado em métricas de usuário, não em comunicado. Para o Brasil, onde regulação de plataforma avança no debate público, o caso europeu é o ensaio geral: a estrutura de dados e medição que você monta agora é o que permite entrar nas novas superfícies quando elas abrirem.

Para o detalhe técnico dos requisitos por região e por tipo de consulta, o guia dos carrosséis regionais; para o fundamento de dados estruturados que sustenta o ItemList, o guia de schema.

Perguntas frequentes

Dúvidas rápidas

O que mudou nos resultados do Google no EEA?
Consultas comerciais de hotéis, voos, transporte terrestre e produtos ganharam duas unidades dedicadas: uma para agregadores (comparadores e agências aprovados, alimentados por feed ou API) e outra para fornecedores diretos, que só aparece junto da de agregadores. O rollout começou em 8 de setembro de 2026, como cumprimento da DMA.
Por que o Google foi obrigado a mudar o layout?
A Comissão Europeia multou o Google em 460 milhões de euros em julho de 2026 por favorecer os próprios resultados de compras, hotéis, transporte e esportes no EEA, com 60 dias para cumprir sob risco de multa diária de até 5% do faturamento global. O redesenho é a medida de cumprimento, ainda sob monitoramento da Comissão.
O que o Google diz sobre a mudança?
Que é a maior redução de qualidade de serviço na história de 29 anos da Busca, citando testes com milhões de usuários europeus com insatisfação alta (usuários reescrevendo consultas) e estimando que mudanças anteriores da DMA já cortaram 30% do tráfego gratuito de reservas diretas dos negócios europeus.
A mudança afeta quem opera no Brasil?
Diretamente, quem vende para o EEA: e-commerce, hotelaria e companhias brasileiras com mercado europeu precisam entender as unidades de agregador e fornecedor e a divergência que o novo layout cria em rank tracking e Search Console na região. Indiretamente, o caso é o ensaio do que a regulação de plataformas pode trazer a outros mercados.
Como entra na unidade de agregadores?
Sendo aprovado como serviço de busca vertical e fornecendo dados: feed de hospedagem para hotéis, APIs em tempo real para voos e transporte, programa de Comparison Shopping Services para produtos. Fornecedor direto (hotel, companhia aérea, negócio físico) precisa apenas de site rastreável, com feeds melhorando o resultado.

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