Em 20 de fevereiro de 2023, o Google aposentou as métricas de posts do Perfil da Empresa sem substituto: três anos e meio de gestão às cegas, publicando ofertas e eventos sem saber se alguém via. A volta das visualizações, anunciada no Small Business Bulletin de setembro, corrige o ponto cego: contadores em cada cartão de post no painel, cobrindo os últimos 18 meses de forma contínua e somando buscas e Maps. Ainda sem API, e ainda medindo visibilidade, não impacto (views, não cliques): mas é a diferença entre publicar por fé e publicar com linha de base.
Como usar a métrica de volta (sem superstição)
A leitura que rende: compare as visualizações entre tipos de post (oferta x atualização x evento) e entre semanas, e trate o número como demanda: posts que só o painel vê pedem formato diferente (mais direto, mais oferta, mais foto real). É métrica de diagnostico, não de sucesso: o clique e a visita continuam sendo medidos lá fora (e o post que gera ligação é o que importa). Para o resto do funil local, o guia de como aparecer no Google Maps cobre o pacote completo.
ChatGPT Shopping: o feed virou ingresso
O dado da Profound é o mais claro já publicado sobre como o ChatGPT escolhe produtos: entre 1,76 milhão de execuções rastreadas em julho, as recomendações vindas de fontes com feed integrado saltaram de 8,26% para 61,54% em 10 de julho. No efeito colateral: entre 7 e 12 de julho, 450 de 687 clientes monitorados perderam pelo menos um terço da visibilidade em Shopping, e 67 ganharam na mesma medida. As ressalvas são honestas (reflete os prompts rastreados por um fornecedor, não sessões reais de comprador; não revela como o ChatGPT ranqueia dentro dos feeds), mas a direção é inequívoca: quem tem feed estruturado entra; quem depende de ranqueamento tradicional sai. É o padrão que o redesign do EEA confirmou no outro lado do Atlântico: a porta de entrada migrando do ranking para o feed.
Migrações são difíceis de desfazer: um site de notícias do Reino Unido perdeu 98% da visibilidade em consultas de tendências em duas semanas após migrar de .co.uk para .com, de 1–2% para 0,02%, sem recuperação após quatro meses (com as devidas ressalvas: o site já enfrentava core updates e problemas técnicos, e o dado não foi aberto). Planeje migração com orçamento de meses de recuperação, não de semanas. E confiança perdida não se recupera com feed: respondendo a um site que gerava páginas automaticamente de combinações de domínios e tecnologias, o Mueller sugeriu que os sistemas do Google podem ter perdido a fé no valor do site: limpar páginas e demonstrar valor são tarefas distintas, e a segunda leva tempo mesmo depois da primeira concluída.
O plano local brasileiro (o que fazer nesta semana)
1. Ative a rotina de posts no Perfil da Empresa (oferta, novidade, evento) e acompanhe as visualizações semanais: o dado está de volta. 2. Vende produtos? Priorize o feed: Merchant Center afiado para o Google e, no horizonte, integrações de feed para os assistentes de compra que já recomendam assim. 3. Tem migração de domínio no plano? Pese o risco do caso britânico e faça com orçamento de monitoramento de meses. 4. Audite páginas de baixo valor: automatizar conteúdo por combinação de palavras é o padrão que o Google declara não confiar mais. O serviço de Google Meu Negócio da M&C cuida da ficha, dos posts e da medição; e a régua do seu segmento está no benchmark brasileiro de conversão.