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Busca com IA

WebMCP: como implementar a camada que deixa agentes de IA usar seu site

29/09/2026 7 min de leitura Por Equipe M&C

O WebMCP é a camada que transforma o site de página em aplicação usável por agentes de IA: em vez de o robô ler o seu conteúdo, ele executa funções do seu site (buscar, filtrar, reservar). O Google publicou um demo ao vivo de uma implementação real (uma busca de voos), e a dissecação dele revela os 5 passos de implementação: definir cada ferramenta, os schemas de entrada e saída, registrar com navigator.modelContext e validar com a extensão oficial do Chrome.

O conceito em uma frase: WebMCP permite que um agente de IA chame funções do seu site, como buscar voos, filtrar resultados ou consultar preços, com permissões e formatos declarados. É a materialização do conceito "business to agent": o site deixa de ser apenas legível pela IA e passa a ser operável por ela. O Google mantém um demo público de uma busca de voos com WebMCP implementado, e a dissecação do código dele é a melhor aula disponível sobre como implementar.

Como o demo do Google implementa o WebMCP?

A primeira descoberta técnica: a implementação não está no HTML da página, mas num arquivo JavaScript separado que controla o formulário. Dentro dele, a estrutura segue cinco passos:

Passo 1: definir cada ferramenta (tool)

O demo define quatro ferramentas: searchFlights (busca agêntica de voos), listFlights (lista os voos resultantes), setFilters (cria filtros de parâmetros) e resetFilters (reseta). Cada tool define uma propriedade execute: a função que roda quando o agente de IA a chama. É o coração do padrão: função real do site, exposta com contrato formal.

Passo 2: definir o inputSchema de cada ferramenta

Cada tool declara name, description, inputSchema e outputSchema, num formato parecido com dados estruturados. No inputSchema, cada campo é um objeto com propriedades que restringem o que o agente pode inserir: type (string, number), description, pattern, minLength/maxLength, format e enum. No searchFlights, os campos são os do próprio formulário: origem, destino, tipo de viagem. É o contrato que impede o agente de inventar entrada inválida.

Passo 3: definir o outputSchema (o que o agente devolve)

O outputSchema descreve o resultado que o agente retorna ao usuário após executar. Às vezes é simples (uma mensagem descrevendo o resultado da busca); às vezes é robusto: no listFlights, o outputSchema carrega cada voo com ID, companhia, destino, horário de partida e mais. Quanto mais estruturado o output, mais útil a resposta do agente para o usuário final.

Passo 4: registrar as ferramentas com navigator.modelContext

O passo que publica tudo: navigator.modelContext é onde o site declara "estas são as ações que um agente de IA pode chamar nesta página, e assim se chama cada uma". As ferramentas (com nome, descrição, schemas, annotations e execute) são registradas no contexto do navegador, e quando o agente invoca uma, o browser executa a função correspondente.

Passo 5: validar com a extensão do Chrome

Para testar sem adivinhar: a extensão "WebMCP: Model Context Tool Inspector" detecta automaticamente se o site implementou o padrão corretamente e permite conectar ao Gemini para testar prompts reais contra as ferramentas. O ciclo de validação: implementar, inspecionar, testar com prompts, corrigir os schemas.

Por que WebMCP importa agora para o Brasil

A busca está migrando de "a IA indica um link" para "a IA executa a tarefa": quem tiver funções expostas via WebMCP é operável pelo agente; quem não tiver é apenas citável. Para e-commerce (busca e filtros de catálogo), imobiliário (busca de imóveis), saúde (agendamento) e qualquer site com formulário funcional, a camada é a diferença entre aparecer na resposta e ser a resposta com ação concluída. É frente nova, com pouquíssimos sites implementando: janela de primeiro-movedor aberta. Para a fundação técnica que o agente precisa alcançar primeiro, o guia das barreiras de IA; e para medir a prontidão técnica, o diagnóstico gratuito.

De onde começar no seu site

A ordem prática: 1) mapear as 3 a 5 funções que o seu site executa e que um cliente real usaria por conversa (buscar, filtrar, calcular, agendar); 2) desenhá-las como tools com inputSchema restritivo (o contrato evita erro do agente); 3) implementar e registrar via navigator.modelContext; 4) validar com a extensão e testar prompts reais; 5) monitorar o padrão oficial (o conceito está em evolução no ecossistema) e expandir. Para quem vende software ou serviços complexos, é o mesmo caminho que os setores mais pesquisados pela IA estão percorrendo: o estudo das fan-out queries mostra por que software lidera as buscas de agente.

Perguntas frequentes

Dúvidas rápidas

O que é WebMCP?
WebMCP é o padrão que permite que agentes de IA chamem funções do seu site (buscar, filtrar, agendar) com contratos formais de entrada e saída. O site deixa de ser apenas legível pela IA e passa a ser operável por ela, via navigator.modelContext no navegador.
Como o demo do Google implementa WebMCP?
Numa busca de voos: quatro ferramentas (searchFlights, listFlights, setFilters, resetFilters) definidas num arquivo JavaScript separado, cada uma com execute (a função que roda), inputSchema com campos restritos (type, pattern, enum) e outputSchema estruturado, tudo registrado com navigator.modelContext.
Como testar se meu site implementou WebMCP corretamente?
Com a extensão WebMCP: Model Context Tool Inspector do Chrome, que detecta automaticamente a implementação e permite conectar ao Gemini para testar prompts reais contra as ferramentas registradas.
Quais funções do meu site valem virar ferramentas WebMCP?
As que um cliente real usaria por conversa: busca de catálogo, filtros, cálculos, agendamento e consulta de preços. Comece com 3 a 5 funções de maior valor, com schemas restritivos, e valide com prompts reais antes de expandir.

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